Na terra dos óvnis, profetas brasileiros acertam previsão de chuva no Ceará

Conhecendo Quixadá durante o Encontro Anual dos Profetas Populares da Chuva. A cidade é um tesouro cultural, geológico e local de observação de óvnis

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A cidade de Quixadá sempre esteve no meu radar. Localizada no sertão central da caatinga cearense, a região é uma das mais espetaculares do semiárido brasileiro. Suas formações rochosas lhe deram a fama de “Terra dos Monólitos”. Distante 170km de Fortaleza, capital do Estado, Quixadá é um tesouro cultural, geológico e local de observação de óvnis.

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Os monólitos parecem cercar a cidade. Diante da monotonia da paisagem sertaneja, são o cartão de visitas para o turista. Conhecidos também as formações chamadas de como inselbergs, com origem a quase 600 milhões de anos. Devido a sua fascinante geografia, a região propicia grandes aventuras e desafios aos amantes do ecoturismo: trilhas, voo livre, rapel e escaladas.

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Tive a felicidade de conhecer Quixadá em um dia auspicioso durante o Encontro Anual dos Profetas Populares da Chuva. Um evento da cultura popular e termômetro das previsões.

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Uma multidão de agricultores, camponeses, comerciantes e jovens acompanhavam os relatos fascinantes dos profetas. O Ceará passa por uma dramática estiagem de 5 anos e muitas das previsões foram otimistas. (Voltou a chover na semana passada em 113 munícipios no Ceará, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recurso Hídricos, a Funceme).

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Diante da plateia, mais de 20 profetas relataram sua observações e prognósticos. Os profetas elaboram suas previsões observando as mudanças da atmosfera, o movimento dos insetos, dos astros, dos animais. Nada escapa dos sentidos destes oráculos vivos e sua sabedoria empírica. Cada um tem seu método: observam as formigas, a casa do João de barro, cupins, o ninho da rolinha, o caule da embiratanha, as abelhas, ou a floração do juazeiro.

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A professora Lourdes Leite, de 71 anos, única presença feminina entre os profetas aprendeu a profetizar desde quando era criança. Uma das suas técnicas utiliza duas tabelas que ela denominou de Tábuas de Santa Luzia. Ela conta que coloca pedras de sal em vidros diferentes entre os caibros e o telhado no dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia. Em cada pote escrever os nomes dos meses (janeiro, fevereiro, março e assim por diante). No dia seguinte, os potes que estiveram se dissolvendo representam os meses que irão chover. Parece algo simples diante de nossos olhos, porém , estas tabelas e outras previsões são um caleidoscópio do misticismo católico, rituais indígenas, com informações científicas.

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Nas proximidades do encontro dos profetas está a principal atração turística de Quixadá: A Pedra da Galinha Choca . O imenso monólito esculpido pelos ventos, água e outras ações da natureza, tem aproximadamente 665 metros de altura e possui uma das melhores correntes térmicas do mundo para os voos livres (parapente e asa delta).

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A Galinha Choca está ao lado do açude do Cedro – completamente seco devido a estiagem e o santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão. A pedra foi a estrela no filme o “Cangaceiro Trapalhão”, em 1983, realizado pelos imbatíveis Trapalhões.

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No ano de 2012, os monólitos foram protagonistas no filme “Area Q”, sobre relatos de observação de óvnis e abduções com moradores. Na película, os monólitos são um tipo de portal para extraterrestres na Terra. Quando for ao Ceará, não deixe de visitar Quixadá.

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Ainda é cedo para previsão, mas 2017 poderá ter outro cenário e os cinco anos seguidos de seca no Ceará poderão chegar ao fim. O El Niño, que atua para a ocorrência de estiagens no Nordeste, vem perdendo força com o desaquecimento das águas do Pacífico.

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Com o enfraquecimento do El Ñino, outro fenômeno ganha força: a La Niña. O oposto do “Menino” produz um esfriamento no oceano Pacífico. Um episódio climático, de influência global e regional, com possibilidade de favorecer o Semiárido cearense no ano que vem.

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Agradecimentos especiais a Cliff Villar e a equipe do jornal O POVO

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