Nas Filipinas, celebração da Sexta-feira Santa tem ritual de crucificação de fieis

As imagens são fortes. 12 pessoas são crucificadas com pregos de 4 a 5 polegadas sendo cravados nas mãos

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ATENÇÃO: O POST TEM IMAGENS FORTES

Costurava pelo caótico trânsito de Manila, capital das Filipinas, sentadinho em um automóvel que mais parecia um carro alegórico com suas pinturas, adereços e babados. Minha intenção era chegar a tempo na cidade de San Fernando Pampanga para acompanhar a celebração da Sexta-feira da Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Com 98 milhões de habitantes, as Filipinas, com suas 7.107 ilhas e 57 vulcões, possui uma população de 93% de católicos e está localizada no sudeste asiático. San Fernando Pampanga fica pertinho do Monte/vulcão Pinatubo, que em junho de 1991 entrou em erupção. No episódio, uma nuvem de fumaça que aparentava um cogumelo atômico espalhou toneladas de lava incandescente por todos os lados. Foram evacuados 15 mil civis e centenas de americanos da maior instalação militar americana – a Base Clark – no continente asiático.

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Durante semanas, realizei uma extensa pesquisa a respeito da “penitência” nas tradições Católicas. Segundo os historiadores, a tradição da penitência iniciou-se na Europa entre o final do século XII e início do século XII como homenagem a morte de Cristo. Em 1349, o Papa Clemente VI condenou o ritual como heresia. Durante o período do domínio espanhol sobre a América e a Ásia, os missionários introduziram a autoflagelação nos povos nativos para expulsar-lhes os espíritos “demoníacos” e purificar suas almas . Oficialmente a Igreja Católica é contra esse tipo de penitência, mas os cristãos de San Fernando Pampanga não estão preocupados com as regras.

Fui um dos primeiros ocidentais a chegar na área onde 11 homens e uma mulher seriam crucificados. O local era um pequeno morro batizado de Monte Calvário. Com três cruzes, o cenário recria a cena da crucificação de Cristo e os dois ladrões.

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Milhares de pessoas aglomeravam-se por todo o descampado. Centenas de barraquinhas vendiam chapéus, sorvetes, refrigerantes, milho cozido e guloseimas. Parecia porta de estádio de futebol.

A multidão dominava a estrada principal chamada de Via Crúcis. Repentinamente, duas colunas com centenas de penitentes surgiram imponentes. O imenso grupo se autoflagelavam com chicotadas em suas costas, com muita fúria e espalhando sangue por todos os lados. Um cenário dantesco.

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No monte calvário, as 12 pessoas iam sendo crucificadas sucessivamente. Observava pregos de 4 a 5 polegadas sendo cravados nas mãos dos penitentes.

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Conversei com o cidadão Chito Sangalang, que ficou durante 18 minutos na cruz. “Este é o décimo quinto ano em que sou crucificado, minha mulher tinha problemas de engravidar e o primeiro filho sempre morria. Depois da primeira crucificação, tudo melhorou. Tivemos muitos filhos saudáveis”, relatou.

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Durante um bom tempo, registrei o frenesi dos familiares ao redor dos penitentes. Estava esgotado de tantas hemácias e flagelos. Depois de tudo o que assisti e presenciei fiquei em absoluto silêncio durante um bom tempo na ilha de Siquijor, Qg da magia no arquipélago das Filipinas. Mas isso é uma outra história… Até breve…