Luz baixa, cama anatômica e música para relaxar: conheça as cabines de cochilo no centro de São Paulo

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Caminhava numa tarde de calor terminal pela rua São Bento, na região central de São Paulo. Repentinamente uma onda de cansaço e sono invadiu meu corpo. Na frente do edifício Martinelli, tive uma miragem. Um homem estava com uma placa com um convite além da imaginação. “Venha tirar uma cochilo”. Era tudo que precisava.

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O endereço indicava a Praça Antônio Prado nº 33, ao lado do edifício Martinelli. Segui em frente e na sala 710. Fui recebido por uma senhora. Vendo o meu cansaço, ela suavemente me indicou para relaxar na cabine 11. O local é um oásis de tranquilidade e completamente refrigerado. Existem várias possibilidades de cochilo: 15 minutos, meia-hora, uma hora.

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Recebi algumas instruções e percebi que a cama tinha um formato diferente. O design é anatômico. Os pés ficam na altura do coração. As costas e a lombar ficam confortáveis e sem pressão, isto faz com que a circulação do sangue mude e nos leve rapidinho ao relaxamento.

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Fui em instantes para os braços de Morfeu. A cabine dispõe de três módulos de música que o usuário pode utilizar com fones de ouvido. Por incrível que pareça, mergulhei literalmente no relaxamento. Em menos de um minuto apaguei. Só vim a despertar no momento em que tocou o alarme.

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Restaurado e cheio de disposição, tive uma conversa na recepção com a proprietária Alicia Jankavski. Ela e o marido começaram a primeira loja piloto em 2012 na rua Augusta com apenas 4 cabines. Funcionou. No início de 2014, abriram no centro com 20 cabines. O fluxo de clientes é constante. A região é repleta de escritórios de advocacia, lojas, órgãos da prefeitura, metro e diversas empresas. A média mesmo neste período de crise é de 25 pessoas por dia. A faixa etária é abrangente, desde jovens de 20 anos a anciões com mais de 80.

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Todas as cabines são automatizadas e o conceito foi baseado em estudos científicos. Alicia nos diz que a Nasa fez um estudo com controladores de voo e chegaram a conclusão que um cochilo de 26 minutos são restauradores. Na Universidade de Harvard, um estudo apontou que se perde 64 bilhões de dólares devido a sonolência e stress de cansaço e que a pausa de 26 minutos revolucionariam o sistema e a vida das pessoas.

No Japão, existem há décadas os hotéis-capsulas onde o cidadão descansa e passa a noite. Ela é enfática sobre a proposta e conclui dizendo: “Se você está com sede, irá beber uma copo de água. Normalmente, se a pessoa está com sono, ela se entope de café para ficar desperto. Este é o conceito que queremos mudar, que cochilar é coisa de preguiçoso. Temos que mudar esta ideia. Trinta minutos de relaxamento é o ideal, a pessoa não entra em sono profundo e descansa o tempo necessário para uma segunda jornada produtiva.”

O local tem como recepcionistas mulheres acima dos 45 anos. São as cochileiras. Extremamente simpáticas, elas transmitem uma ambiente familiar no recinto. Que os gestores das empresas acolham esta terapia e facilitam a vida de seus funcionários. Nos Estados Unidos, isto já é realidade em diversos setores. Quando se sentir cansado, como eu, mergulhe sem escafandro no cochilo, pois quando despertar estará restaurado.

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O Cochilar possui duas unidades a do Centro de São Paulo, na Praça Antonio Prado, 33. Conj 710/711; e a do Itaim Bibi, na Rua Joaquim Floriano, 871. Conj 21 e 22. Abrem as 7h até as 19h de segunda à sexta.

Mais informações www.chochilo.com.br

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