De Curitiba a Morretes: uma das três viagens ferroviárias mais bonitas do mundo

É uma viagem ao túnel do tempo. O trem mergulha por montanhas, vegetação densa, rios e precipícios. Os vagões, com suas janelas amplas e panorâmicas, facilitavam o visual deslumbrante

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Curitiba é uma cidade que possui dezenas de atrações, baladas, shows, museus e teatros… Porém, nesta minha última visita, decidi fazer um passeio majestoso no coração da Mata Atlântica.

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Acordei cedinho. Parti para a Estação Ferroviária. Há décadas ensaiava em realizar a viagem de percorrer o paraíso ecológico nesta ferrovia datada de 1885.   Uma multidão de pessoas, grupos, turistas já aguardavam a presença do apito do trem na plataforma de acesso. Diariamente o trenzinho parte de Curitiba em um percurso de 110km por túneis, pontes e natureza exuberante.

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Precisamente às 8h, o trem surgiu criando alvoroço entre os curiosos e turistas. Existem vários tipos de vagões. Do econômico ao luxuoso, de acordo com a verba disponível do turista.

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Aproveitei o ensejo e conversei com um dos maquinistas da locomotiva. Ele esclareceu que o trem possui a capacidade para 1,1 mil passageiros e que levaríamos 3h30 descendo a Serra do Mar.

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Uma viagem ao túnel do tempo. Após o último apito, o trem iniciou lentamente a se movimentar com uma sinfonia de ruídos. A excitação dos passageiros borbulhava em todos os vagões.

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No início da jornada, deslizamos pelas cidades de Pinhais e Piraquara e repentinamente começamos a subir a serra com suas montanhas, vegetação densa, rios e precipícios. Os vagões, com suas janelas amplas e panorâmicas, facilitavam o visual deslumbrante. Vislumbramos o conjunto montanhoso do Marumbi, a belíssima cascata Véu da Noiva e a imponente Ponte São João, com 113 metros de extensão e 60 metros de altura.

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São 13 túneis ao longo do trajeto. A viagem é um sucessão de cenários maravilhosos. Um dos momentos mais empolgantes (foram muitos) aconteceu quando passamos pelo Viaduto Carvalho. Ele possui 86 metros de extensão e foi construído sob seis pilares de alvenaria fixados na rocha. Não se vê os trilhos. Num átomo de segundos, parece que o trem flutua no espaço.

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A chegada em Morretes é na hora do almoço. Imaginem a fome da multidão após o passeio. Nada melhor do que se esbaldar em um dos pratos típicos do Paraná: o famosos Barreado. Composto de carne cozida e especiarias, ele leva de 12 a 20 horas para ser preparado em uma panela de barro e vem acompanhado de uma generosa porção de farinha branca e banana. Uma iguaria dos deuses da serra.DSC_0305

 

Logo após o banquete, fomos visitar o alambique da cachaça Porto Morretes, que esta pertinho do Pico Do Marumbi. No local, degustei algumas das melhores pingas do planeta: a Premium, envelhecida por três anos em carvalho; e a Tradição, envelhecida por seis anos no carvalho e com aromas de castanhas e baunilha. O sabor é suave e leva o espírito para o alto da montanha.

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Destaque internacional
O passeio foi classificado pelo jornal americano ‘The Wall Street Journal’ como uma das três viagens ferroviárias de luxo mais bonitas do mundo. O britânico ‘The Guardian’ colocou o trajeto entre os dez mais interessantes do planeta.

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A ferrovia foi inaugurada no dia 2 de fevereiro de 1885. Ela levou 5 anos para ser construída. Os vagões são da década de 60 e recebem uma constante manutenção.

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