Na Capadócia, passeio de balão, cidades subterrâneas e um dos melhores hotéis do planeta

Além da paisagem espetacular, o local conta com o hotel supra sumo da sedução, arte e luxo. No quarto, torneiras jorram vinho tinto e branco

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A Capadócia é um dos destinos mais cobiçados no planeta. Situada na Anatólia Central, este insólito maciço montanhoso é fruto de uma pulsante atividade vulcânica que foi produzida com a ajuda do vento e da chuva. Uma paisagem espetacular de cidades subterrâneas, igrejas em cavernas e esculturas colossais.

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Nosso grupo borbulhava. Adrenalina, endorfina, dopamina e curiosidade. Íamos  em direção aos vales de Devrent e Pasabag. Havíamos desembarcando na cidade de Kayseri, cidade turca situada na região central da Anatólia.

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O primeiro pit stop de nossa expedição transbordava no Vale de Devrent, conhecido também como Vale da imaginação. A paisagem é desconcertante. Seu relevo se assemelha ao cenário lunar e suas rochas desafiam o imaginário do viajante com formas de animais e seres do além.

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Logo na sequência, surgiu o Vale dos Monges (Pasabag) com uma infinidade de belíssimas formações rochosas que brotam como enormes cogumelos, são chamadas de “Chaminés de Fadas”.

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Existem muitas cavernas que foram habitadas por eremitas e monges. Uma delas foi ocupada por São Simão. Aproveitei o ensejo para ficar alguns minutos em meditação na chaminé de um eremita.

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Museum Hotel
Nossa expedição seguia pelo vilarejo de Urgup. Chegávamos na parte alta da pequena cidade de Uçhisar, no Museum Hotel. Encravado no alto da colina, o local é o supra sumo de sedução, arte, luxo e five star. Possui 30 quartos alucinantes. Todos foram reconstruídos dentro das cavernas e decorados com lindas peças e objetos de arte.

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Cada quarto é um ninho de conforto e curiosidades. Tudo calculado e imaginado para que o hospede tenha uma estadia inigualável. A área externa do hotel é repleta de pátios, piscina e uma vista arrebatadora para o vale.

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Meu quarto, o “Harem”, é tudo aquilo que você imagina e um pouco mais. Em um dos nichos, percebo duas torneiras especiais. Delas, jorravam vinho tinto e branco respectivamente. Um convite diabólico de Baco. Pelos corredores, ambientes, terraços, paredes, restaurante, espaços externos e salões do hotel explodem uma infinidade de tapetes, quadros, objetos e antiguidades de valores inestimados. Além de ser oficialmente um museu, o hotel é o único estabelecimento na Turquia com o selo do prestigiado Relais & Châteaux.

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No anoitecer, jantamos no restaurante Lil’a com o proprietário do Museum e personagem iconográfico do turismo na Capadócia e Turquia: Mister Omer Tosun. Foi uma comilança de pratos turcos de diversas regiões. Um mix gastronômico preparado com ingredientes e iguarias frescas regado a muito vinho local. O carismático anfitrião nos contou miríades de histórias da região: os vinhedos, tapetes mágicos, as cidades subterrâneas, a atual situação geopolítica, a guerra descontrolada na Síria e Iraque (são mais de 5 milhões de refugiados) e sobre São Jorge e Goreme.

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Mister Omer também falou sobre quando teve o insight de montar o turismo de balão pelos vales (sim, a ideia surgiu dele). No embalo, nos deu o sinal de alerta. Pela manhã, às 5h30, iríamos fazer nosso passeio de balão.

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Precisamente às 6h da matina, nosso time de seis pessoas se aglutinava ao redor do cesto do Fly Royal. Diversas outras companhias inflavam seus vistosos e coloridos balões. Nosso piloto era Suat Ulusoy. Com muitos anos de experiência, ele nos orientou sobre todos os protocolos do voo.

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Como num passe de mágica, o balão começou a subir suavemente no céu da Capadócia. O passeio durou uma hora e o vento dominava os movimentos do gigante. Rapidamente chegamos a dois mil pés de altitude. O nascer do sol explodia no horizonte. Suat realizava manobras sinuosas e passava entre mais de 40 balões descendo por entre os vales. O êxtase é coletivo em nosso cesto.

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Sobrevoamos alguns vilarejos e flutuamos coladinhos das formações rochosas esculpidas pelo vento, água e erosão de milhões de anos. O tempo voa no espaço. Quando percebemos, o balão já começava a descer. Uma experiência fascinante que recomendo a todos. Ao final, em terra firme, fomos recebidos pela equipe da Fly Royal e brindamos com champanhe e acepipes.

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Na volta, estávamos famintos. Nos esbaldamos com o café da manhã. Uma abundância de pães, sucos, geleias, frutas, chás, doces, e muito Gozleme (uma espécie de tortilha turca com espinafre, berinjela e queijo de cabra).

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Logo após a comilança matinal, seguimos para a cidade subterrânea Kaymakli. Existem 37 cidades subterrâneas catalogadas e mais de 200 ainda não exploradas. Os pioneiros nestas escavações em colinas, montanhas e debaixo da terra foram os hititas no século II A.C. Porém, foram os cristãos, entre os séculos IV e XI, os arquitetos e planejadores destes labirintos e cidades com vários níveis.

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Kaymakli foi a maior de todas. A cidade possui 8 níveis, mas apenas 4 estão abertos ao público. Percorria os corredores e visualizava o frenesi no período onde mais de 20 mil pessoas vivam naquele emaranhado de quartos, igrejas, cozinhas, canais de ventilação, padarias e estábulos. Um gigantesco formigueiro humano.

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Na saída, respiramos profundamente e seguimos para o inacreditável Museu a Céu Aberto de Goreme. O espaço concentra uma sucessão de estonteantes edificações, capelas, mosteiros e igrejas bizantinas incrustadas na montanha. O supra sumo da jornada foi quando entramos na igreja Karanlik , ou igreja escura. O resplendor dos afrescos bizantinos alumiava o interior da igreja-caverna.

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O tempo se escoava e nossa estadia na Capadócia se perpetuaria com o convite feito na noite anterior por Mister Omer. Fomos acompanhar a dança dos dervixes rodopiantes. A cerimônia acontece na Caravensarai Saruhan, construída em 1238. A dança circular dos dervixes é conhecida como Sema e surgiu da inspiração do mestre Sufi Mevlana Celaleddin-I Rumi. O santo Rumi foi o fundador da ordem Mevlana do sufismo e sua tumba encontra-se na cidade de Konya.

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O rito representa a viagem mística da ascensão espiritual do ser humano através do amor e a condição fundamental de nossa existência, que é literalmente “girar”. Observava os dervixes rodopiando da direita para esquerda com seus braços abertos em completo transe. Um ballet de outra esfera através dos diversos estágios da Sema (Cerimônia). O ritual prosseguia em uma escalada sem fim.

Derwish ceremony in an old mansion

Num dado momento, um dos sacerdotes autorizou fotografar o ato. Isso raramente é permitido. Naquele instante, uma brisa de Cartier Bresson incorporou em meu aparelho, e saí registrando o momento. Tesekkur ederim Turquia!!!
A saga continua…

Agradecimentos especiais
http://www.teresaperez.com.br/ : Erik Sadao e equipe
http://www.seasong.com/ , a querida Karen Fedroko Sefer.

Dicas
Onde ficar: http://www.museumhotel.com.tr/
Como ir: http://www.turkishairlines.com/
Passeio de balão: http://www.royalballoon.com/

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Tandoor (Tandır)

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