Cidade redescoberta no Camboja tem monumentos históricos colossais no meio de selva

Templos, monumentos e estatuas são escondidos pela floresta em Angkor. A arquitetura é divina

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O Camboja passou por séculos vivendo apenas da sua agricultura. Sofreu com 23 anos de guerra civil e 10 anos de comunismo em absoluto isolamento. A revolução Maoísta nos anos 70 do ultra-sanguinário Pol Pot foi um tsunami devastador terminando temporariamente mais de dois mil anos de historia do país. Quando o Khmer Vermelho invadiu a capital Phnom Penh em abril de 1975, a nação inteira foi sequestrada e o território foi transformado em um grande campo de concentração. Os oito milhões de habitantes, da noite para o dia, se tornaram escravos, trabalhando pesado no campo e sofrendo humilhações terríveis. Um quarto da população, isto é, cerca de 2 milhões de pessoas morreram de fome ou foram torturados até a morte.

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Minha estadia no Camboja se arrastava pelos campos de genocídio, passeios pelo Mekong e baladas em Phnom Penh. Decidido, fui conhecer o complexo das ruínas de Angkor. Peguei uma embarcação no porto da cidade de Phnom Penh e desci o Rio Mekong em direção a Siem Rep.

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Vamos aos fatos! Até 1431 Angkor era a capital do Império Khmer. Com a invasão dos siameses do reino do Sião (atual Tailândia), a cidade foi abandonada pela população. Suas construções, templos, monumentos e estatuas foram encobertas pela floresta. Precisamente em 1860 foi redescoberta pelo francês Henri Mouhot. Desde então, existe um esforço continuo para restaurá-la. Apesar de ainda não ser totalmente segura, existem muitas minas espalhadas ao redor dos edifícios e estradas, o cidadão se sente em uma dimensão interplanetária.

DSC_0177Estive no topo do famoso templo de Angkor Wat, provavelmente o maior monumento erguido pelo homem temos uma visão alucinante de 360 graus. A selva é transbordante. A arquitetura, divina. São portais, corredores labirínticos, piscinas e a longa plataforma de acesso, repleta de esculturas de nagas (as serpentes sagradas) deixam qualquer ser humano em estado nirvânico.

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A experiência é um mergulho no tutano da civilização Khmer. Angkor é impecável em composição, balanço, relevos e harmonia. O templo principal dedicado ao Deus Vishnu tem suas torres impressas na bandeira Cambojana.

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Durante o genocídio e domínio do Khmer vermelho nos anos 70, Angkor transformou-se em um grande deposito de armas. Neste período, cabeças de divindades, portais e outras relíquias viraram objetos de rapinagem dos caçadores de tesouro, que os vendiam no mercado negro a museus, galerias e colecionadores. Atualmente, grupos de arqueólogos e restauradores estão lá. Eles catalogam milimetricamente cada pedrinha e cascalho solto.

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Penetrar pelas entranhas de Angkor é um sonho. O templo de Bayon, em forma de pirâmide, é fascinante. Nos arrasta a lembranças arquetípicas. A religiosidade budista amanteigada com o hinduísmo enlouquece qualquer estudioso ou arqueólogo. Imagina nós, simples mortais.

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Do outro lado do complexo, encontra-se a espetacular Ta Prohm, meu ponto predileto. As árvores envolvem os monumentos com suas raízes. É conservador e destruidor ao mesmo tempo. Ta Prohm é um mistério para a alma.

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Durante três dias, vasculhei a imensidão de Angkor. Minha sensação foi de ser o próprio Mogli perdido no coração da floresta. O que me deixou em estado de choque, na capital Phnon Penh, foi o letreiro na escola-prisão-centro de tortura de Tuol Sleng: “Enquanto você é vergastado e eletrocutado, não deve de maneira nenhuma gritar”. Assim, Pol Pot tratava seus conterrâneos.

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