Com Daniel do Mate, um dia como ambulante nas areias do Leblon

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Nasci no Rio de Janeiro e meus pais moravam na rua Francisco Otaviano, entre o posto 6 e o Arpoador. Desde a minha tenra infância, frequentava as praias de Copacabana e Ipanema. Além do mar, sol, morro dois irmãos, vento, ondas, areia, pranchas e amigos, o que sempre esteve presente no meu imaginário era a presença dos vendedores de biscoitos polvilho e de mate, com seus bujões a oferecer o néctar do líquido precioso para os banhistas.

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Em diversas etapas da minha vida, e acredito de milhões de pessoas, aqueles vendedores fazem parte de nossas lembranças. No final de 2009, estes ambulantes foram proibidos nas praias cariocas. A medida causou um fuzuê. Diante dos protestos da população, os ambulantes foram autorizados a voltar às areias.

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Em março de 2012, uma grande reviravolta veio à tona. A prefeitura em um atitude positiva colocou os ambulantes de mate como Patrimônio Imaterial da Cidade do Rio Janeiro. Desde então, mais de 1,4 mil vendedores itinerantes foram cadastrados e receberam a autorização de percorrer pelas praias com seus bujões.

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Minha curiosidade transcendeu. Resolvi passar pela experiência de vendedor de mate na orla marítima. Meu guia foi nada menos que um dos ícones do Leblon, o carismático Daniel do Mate. Ele circula pela faixa de areia na praia do bairro há mais de 8 anos. Trabalha entre o posto 11 e 12 e realiza eventos pela cidade.

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A concorrência é grande. “Aqui, nesta faixa, trabalham mais de 50 ambulantes. Porém, faço o meu dia com muita alegria e alto astral. Trabalho com jaleco personalizado e radinho com megafone. Só inspiração.”, afirmou.

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Nosso vendedor é muito querido. No vai e vem, acompanhando a figura, vendi mais de 20 copinhos. Entre os hotéis Marina, Daniel foi aclamado por uma grupo de jovens. No alarido, fico sabendo que seu visual personalizado foi criado por dois estudantes de design da PUC. Eles realizaram um trabalho da faculdade para personalizar um ambulante de praia. Daniel foi o escolhido.

Se você estiver curtindo na praia do Leblon e bater aquele sede, não se esqueça desta personalidade. Procure ou espere ser encontrado pelo Daniel do Mate.

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Patrimônio Cultural Imaterial
De acordo com a Unesco, Patrimônio Cultural Imaterial consiste em “práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte de seu patrimônio cultural.”

No Brasil, muitas manifestações são patrimônios imateriais. Alguns exemplos: roda de capoeira, o frevo, as baianas do acarajé, o jongo do sudeste, o Círio de Nazaré, o modo artesanal de fazer queijo de Minas e muito mais.

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