A loja mais incrível do planeta em Alter do Chão, o caribe amazônico

Eleita a praia mais bonita do Brasil pelo ‘The Guardian’, Alter do Chão Possui uma imensidão de praias de água doce, rios, árvores, gigantescas, igarapés e uma população festeira ao ritmo do carimbó

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Foto: Reprodução/ Instagram / @alterchao

A atmosfera tonificante e a espessa umidade dominavam a saída do aeroporto de Santarém, no Oeste do estado do Pará. Entro num veículo e sigo a estrada que liga Santarém ao paraíso de Alter do Chão, são 34 quilômetros de distância. Abro a janela do carro e respiro avidamente o ar amazônico que preenche meus pulmões e desperta meu corpo. No silêncio da madrugada, sou recepcionado no Hotel Borari. Estava imensamente feliz por voltar a Amazônia.

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Foto: Cesar Boni 

Alter do Chão é conhecida como o caribe da Amazônia. Possui uma imensidão de praias de água doce, rios, árvores, gigantescas, igarapés e uma população festeira ao ritmo do carimbó. Ficou conhecida mundialmente depois do jornal inglês “The Guardian” publicar em 2009 uma lista das melhores praias do Brasil: Alter do Chão ficou em primeiríssimo lugar, na frente de Fernando de Noronha, Praia da Pipa, Ilha Bela, Jericoacoara, Búzios e outros paraísos.

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Foto: Reprodução/ Instagram / @alterchao

Logo pela manhã, iria fazer uma série de passeios navegando o rio Tapajós e localizar amigos que vivem por lá. Após o café da manhã, resolvi dar uma caminhada. Dei apenas 20 passos. Como um imã fui magnetizado instantaneamente pela loja Arariba, que está localizada na frente do hotel. Confesso, sou colecionador de objetos, estátuas, máscaras, fotografias, tecidos e traquitanas de todos os cantos do planeta.

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Foto: Cesar Boni

Quando entrei, me senti um misto de Tin Tin com Indiana Jones. Meu coração disparou diante do maravilhoso acervo da Arariba. A loja possui objetos e artigos indígenas de diversas regiões da Amazônia. Fico em transe diante das peças das mais de 80 etnias com suas cerâmicas, ornamentos, artefatos, cestaria, arco e flechas, zarabatanas, tecidos, instrumentos musicais e uma imensidão de objetos que desconhecia.

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Foto: Cesar Boni

Vejo uma senhora com sotaque gaúcho gargalhando de alegria com as peças que havia encontrado: Dona Ingrid é antropóloga e estava feliz com suas máscaras, cestas e artesanatos das etnias Asurini, Cayapo, Mati e kuripako.

Sou convidado pelo proprietário, Marcelo Freitas, a fazer uma visita guiada pelos labirintos e recintos da loja. Recebo uma aula magna do significado dos utensílios e dos objetos encantados. O setor das máscaras, bordunas e arco e flechas sacodem meu espírito e ancestralidade (minha mãe nasceu em Xapuri no Acre).

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Foto: Cesar Boni

Marcelo percorre as aldeias se embrenhando pela floresta Amazônica. A Arariba foi aberta em 1999 e, desde então, é referencia no Brasil e no mundo. O guia Lonely Planet destaca seu acervo surpreendente.

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Foto: Cesar Boni

No dia seguinte, voltei e passei um par de horas degustando, tateando e observando aquele universo. Óbvio que adquiri alguns objetos: borduna cayapo, máscara xinguana, pulseirinhas para os filhos e muitos muiraquitãs.

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Foto: Cesar Boni

MUIRAQUITÃS
Os muiraquitãs são um dos artesanatos mais tradicionais e cobiçado em Alter do Chão e por todo o rio Tapajós.

Existem muitas lendas atrás da peça. Numa noite de lua cheia, ganhei um muiraquitã (sapinho verde) de uma autêntica Guerreira Borari. Ela disse: “Os muiraquitãs (amuleto de pedrinha verde) são confeccionados pelas indígenas que habitam às margens do rio Tapajós e Amazonas.

Quando a terra era clareada pelas noites de luar, as índias se dirigiam a um lago mais próximo e mergulhavam em suas águas retirando do fundo bonitas pedras que modelavam e ofereciam aos seus amados, como um verdadeiro talismã.

Pendurado ao pescoço, eles o levavam para caça, acreditando que traria boa sorte e felicidade ao guerreiro. O muiraquitã é considerado um amuleto de sorte e felicidade para quem o possui.

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Foto: Cesar Boni