Fascinante, Cruzeiro do Sul é o destino mais incomum do Acre

Mais insólito do Estado, o território tem uma das maiores biodiversidades da Terra e está pronto para ser descoberto

528

Uma das regiões mais remotas e exóticas do planeta encontra-se em território nacional. Sabe onde é? Nas conversas com amigos aventureiros e grandes exploradores, mencionar o nome do Estado do Acre é algo tão insólito como Papua Nova Guiné, Bornéu, Tibet e Madagascar. Dentro do Acre, existe um território ainda mais fascinante e com uma das maiores biodiversidades da Terra pronto para ser descoberto.

DSC_3031

A cidade de Cruzeiro do Sul é a base estratégica para desvendar os confins da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista do Alto do Juruá. O rio Juruá nasce no Peru e corta o município com sua água barrenta. Ele está entre os dez maiores rios do mundo.

DSC_3134

Em estilo colonial inglês, o Cais do Porto respira a vida intensa do transporte fluvial. No mercado popular, as barracas e peixarias oferecem fartura e frescor, é um manjar da natureza. Pencas de jerimum, banana, graviola, cajarana, melancia, maracujá, cupuaçu, tamarindo e outras que não consegui identificar. Para os amantes de pescado, a oferta é ainda maior: tambaqui, surubim, pirapitinga, pacu, aruanã, cará, mocinha e diversas iguarias. O que hidrata o espírito é a presença indígena mesclada com imigrantes do nordeste e do sul do Brasil, eles sintetizam a mistura de raças que é nosso caldeirão étnico.

DSC_3056

Visitar a monumental Catedral Nossa Senhora da Gloria construída em 1957 é fundamental. Em estilo germânico, a imensa nave parece estar pronta para decolar. Conheci o responsável pela manutenção que abriu as portas do local. Aproveitei o ensejo e subi por uma escada íngreme até o topo da igreja octogonal. O panorama do alto é cinematográfico.

DSC_3039

A cidade é a porta de entrada para lugares onde a natureza encontra-se na mais perfeita harmonia. Basta sair um pouquinho da área central de Cruzeiro de Sul e constatar que a floresta manifesta-se em toda a sua exuberância. Não muito longe da cidade, a 16 quilômetros, está o município de Rodrigues Alves. Tive a oportunidade de conhecer no local, o Mestre Mirinho. Um alquimista no coração da floresta. Passei o dia escutando e aprendendo histórias fascinantes do poder de cura das plantas e suas andanças pela mata fechada. Mirinho é um grande prosador. Contou detalhes e passagens marcantes dos fundadores da doutrina do Santo Daime. O que ele enfatizou é que deveríamos visitar as reservas indígenas dos Kaxinawá do rio Jordão, os Ashaninka do rio Amônia e os Katukina que habitam a vizinhança da BR-364.

DSC_3077

Estes grupos indígenas convivem lado a lado em uma das regiões de maior diversidade biológica no globo. Agradeci seus ensinamentos e informações com o intuito de, na próxima aventura pela Acre, conhecer este território onde a ação humana ainda não destruiu sua diversidade.

DSC_3152 DSC_3088 DSC_3085 DSC_3084 DSC_3078 DSC_3058 DSC_3039 DSC_3023