De valiosas antiguidades a quinquilharias: conheça a feira que é parada obrigatória em Montevidéu

“Nada se despreza, tudo se utiliza”. Esse é o lema da feira Tristán Narvaja

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Um dos passeios mais movimentado e prazeroso em Montevidéu aos domingos é circular e bater perna pela Feira Tristan Narvaja. Esta pitoresca feira começa entre a Calle Tristan Narvaja com a Avenida 18 de Julho e se ramifica por ruas paralelas e transversais ocupando dezenas de quadras. Ali você encontra milhares de pessoas comprando e vendendo de tudo. A muvuca, os objetos e a quantidade de ofertas deixam locais e turistas com os olhos e sentidos em estado de alerta. Valiosas antiguidades, ferramentas, verduras, frutas, porcelanas, traquitanas, objetos inúteis para alguns e de grande utilidade para outros, discos de vinil, galinhas, moedas, patos e muita quinquilharia a preços inacreditáveis. “Nada se despreza, tudo se utiliza”, é o lema da feira. Um território para Magiver nenhum botar defeito.P1120970

O ápice da feira explode por volta do meio-dia e finaliza o mais tardar entre 15 e 16h. Em meio ao vai e vem, conheci o colecionador Hector Uchoa que possui um acervo alucinante de discos de vinis. Encontrei dezenas de títulos de jazz e música latina. Sai com uma preciosidade de Julio Iglesias (Amor) e o mitológico Axis Bold is Love, de Jimi Hendrix. Na caminhada, aproveitei o ensejo e adquiri a tradicional cuia e mate uruguaio. Para quem não sabe, o mate é a bebida nacional no país. Você observa o estilo de vida dos montevideanos engalfinhados com suas garrafas térmicas e cuias de chimarrão em todas as lojas e cantos da feira.

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O setor das bugigangas é um capitulo a parte: restos de para-choques, calotas, talheres retorcidos, dentaduras, pedaços de motocicletas, restos de armários do século 18, tesouras, facas e itens não identificáveis fazem os curiosos se jogaram a procura do santo graal ou da pedra filosofal. Garimpei uma série de objetos e comprei um pequeno tesouro (uma plaqueta de papelão da marca RCA Victor do período de Carlos Gardel) . Na rua Paysandu uma profusão de barracas de livros e sebos oferece romances, livros esotéricos e coletâneas de contos de autores latino americanos, quase de graça. Sai com a mochila carregada de obras robustas.P1120984

Para quem conhece a Feira de San Telmo em Buenos Airtes, a Benedito Calixto em Pinheiros (SP), El Rastro em Madrid e Portobobello em Londres, a Feira Tristan Narvaja segue a mesma tradição de participar de um mundo mágico com tonalidades medievais.

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Esta agitada feira domingueira nem sempre esteve em sua atual localização. A original começou no coração na Plaza Independência até os finais do século XIX onde se vendiam produtos agrícolas que os produtores traziam de suas chácaras e sítios. Ali mesmo eles compravam os instrumentos, grãos e sementes que necessitavam para seu trabalho no campo. Lentamente com o crescimento da cidade, a feira cresceu e mudou para o atual endereço.

Agradecimentos: Bem Bolado e Pay Pay

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