Mercado Ver-o-Peso é parada obrigatória para quem vai a Belém

Costumes, tradições, odores, iguarias da culinária paraense circulam pelos corredores do mercado

4708

Sempre que tenho a oportunidade de retornar a Belém, capital do Pará, meu coração pulsa em outra frequência. É uma cidade fascinante onde a atmosfera transpira mistérios e encantos da Amazônia. Para conhecer um cadinho dos costumes, tradições, odores, culinária e sabores da floresta nada melhor do que mergulhar nos corredores do Mercado Ver-o-Peso. Localizado na Cidade Velha, às margens do Rio Guajará, ele foi fundado em 1625 como entreposto fiscal. Por isso o nome (Ver-o-Peso). No local, se pesavam as mercadorias e era contabilizado o imposto a ser pago a Coroa Portuguesa.

DSC_0279 O ponto de compras é extremamente organizado. Ver-o-Peso faz parte de um complexo arquitetônico e paisagístico que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, e repleto de construções históricas, dentre elas o Mercado de Ferro, a Praça do Relógio, a Feira do Açaí, o Mercado da Carne, a Doca, a Ladeira do Castelo, o solar da Beira e a Praça do Pescador. O conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1997.

O Ver-o-Peso abastece a cidade com produtos alimentícios do interior paraense. A maioria dos itens chegam por via fluvial direto para as barracas. É possível encontrar de tudo: farinhas de todos os tipos, verduras, frutas, utensílios domésticos, peixes frescos, artesanato, remédios naturais, ervas, amuletos, animais vivos e muitas guloseimas e temperos que você nunca experimentou. No setor das frutas e sucos, os aromas e perfumes convidam o turista a degustação de muitas frutas exóticas como: Bacuri, ingá-cipó, tapereba cupuaçu, jambo, tucumã, piquiá, graviola, tamarindo, miriti e outras centenas de sabores e néctares selvagens.

Entre o mercado de peixes e do açaí existem muitas barracas e restaurantes onde se pode comer suculentos pratos regionais como: o peixe frito com açaí, o tacacá, o pato no tucupi, chibé e a maniçoba. Para quem não sabe a influência da culinária paraense disseminou-se pelo País e mundo afora. Um dos maiores entusiastas é o chef paulistano Alex Atala – considerado um dos melhores Chefs do planeta – que utiliza diversos ingredientes e temperos em sua gastronomia.Cópia de DSC_0260

O setor que sempre me magnetiza é área das curandeiras, erbolárias e benzedeiras. Sou um profundo admirador da folclórica Dona Coló que montou seu negócio há mais de 30 anos, mas ficou mundialmente conhecida quando ensinou o chef inglês Jamie Oliver a fazer uma maniçoba (feijoada paraense,  feito com folhas de mandioca) em sua própria casa. A banca de Dona Coló é um microcosmo da magia da floresta com dezenas de vidrinhos, garrafadas e plantas que oferecem soluções para questões e problemas de corpo e alma: Filtros de amor, banhos de cheiro e muita receita para apaziguar as mazelas da vida e trazer felicidade com os ingredientes nativos. Dona Coló é uma verdadeira pitonisa em suas generosas orientações. Suas receitas são uma panacéia. Para atrair a pessoa amada ela oferece o chora-nos-meus-pés, agarradinho e o pega-não-me-larga, quando o assunto é combater o mau-olhado sua farmacopéia indica o destranca-tudo, comigo-ninguém-pode e o poderoso quebra-barreira. Seus milagrosos bálsamos estão a disposição de qualquer curioso, basta perguntá-la.DSC_0247

CURIOSIDADES
1 – Segundo a Secretaria de Economia de Belém, circulam diariamente em torno de 50 mil pessoas pelo Ver-o-Peso, somando quase 1,5 milhão por mês. Mais de 5 mil trabalhadores vendem produtos variados, como frutas, comidas típicas, verduras, farinhas, artesanatos e utensílios domésticos.

2 – A Maniçoba é um prato feito com as carnes da feijoada, mas sem feijão. Seu ingrediente principal são as folhas da mandioca brava que é moída e cozida por muitos dias. Esta, quando fervida evapora o veneno (ácido cianídrico) das folhas que se transformam em uma iguaria deliciosa. A maniçoba vem acompanhada de arroz, farinha de mandioca e muita pimenta.Cópia de DSC_0265