O dia em que vinguei a Seleção do Dunga contra a Bolívia das “cholas”

O futebol das cholas é disputado em uma quadra de 4.050 metros de altitude

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Respirava o ar puríssimo enquanto observava, da estação de esqui de Chacaltaya, a imensidão dos Andes. No horizonte distante, onde está encravada a cidade de La Paz. A capital da Bolívia está situada a mais de 3.600 metros de altitude e Chacaltaya está a uma altura de nada menos que 5.350 metros. A estação se encontra no coração da cordilheira real e é a mais alta do planeta. Suas pistas para esquiar resumem-se, atualmente, a apenas duas linhas finas de neve. Tudo isso devido ao degelo dos picos nevados e às mudanças climáticas. O ar rarefeito já não incomodava mais.DSC03099

Eu circulava pela Bolívia há mais de duas semanas, investigando a vida dos povos que habitam as bordas do lago Titicaca e as entranhas do caldeirão de La Paz. Estava aclimatado e havia organizado algo inusitado: uma partida de futebol com as cholas, as tradicionais indígenas aimarás que se destacam por suas tradições e por seu visual.DSC03107

O desafio estava lançado. No dia 19 de outubro de 2009, a Seleção Brasileira comandada por Dunga, depois de 15 meses e 19 partidas invicta, fora derrotada por 2 X 1 pela oxigenada seleção boliviana. Agora era a hora da vingança. A partida seria na cidade El Alto, que se estende na plataforma que rodeia a imensa cratera de La Paz. Estava marcada para domingo, em uma quadra de 4.050 metros de altitude. O cenário misturava os picos nevados dos Andes com as casas de adobe dos habitantes. Aos poucos, as cholitas iam chegando com suas bolsas, fardos e sorrisos marotos. A única condição que a dirigente havia imposto era que este repórter deveria estar trajando as roupas típicas das mulheres andinas. Fazer o quê? Fui agraciado com a tradicional pollera e o chapéu de coco. A talpollera é um conjunto de saias que são colocadas uma por cima da outra. Imagine a cena. Este cabrón com mais de 1,85m de altura travestido de cholita aimará. Com chapéu Borsalino no topo da minha cabeça, era uma mistura de Bat Masterson de saia plissada com um Carlitos desidratado.DSC03152

ARTHUR BORSALINO
Começa a partida. Minha esquadra fazia parte de um grupo de indígenas que batem bola todos os fins de semana há mais de oito anos. Todas são pequenas, mas com pulmões de Cesar Cielo. No primeiro pique, senti o peso do meu corpo como se fosse um mamute. As cholas se divertiam e queriam dar meia lua, lençol e olé neste incauto esportista. O chapéu coco não se firmava na calota craniana. Fiquei na minha. Respirava com tranquilidade e, aos poucos, fui tirando o pé do freio. A partida estava 3 X 2 para as adversárias. Depois de 30 minutos, o Borsalino encaixou na cabeça e percebi que tinha poderes sobrenaturais.DSC03090

Num dado momento, baixou o Alex, personagem do filme Laranja Mecânica, neste precioso corpo humano. Saí em disparada. Acreditem, marquei dois gols. Vibração total. As adversárias me olhavam torto. No segundo tempo, houve até expulsão. Faltando quatro minutos para o encerramento, fiz um passe para Carmen, a craque do time, que finalizou fazendo um golaço. Final: 7 X 5 para nossa esquadra.DSC03107

HOTÉIS
La Paz é uma cidade alucinante e o hotel Presidente está localizado no músculo cardíaco da capital. Os quartos são amplos e os serviços impecáveis.  Está pertinho da explêndida Basílica de São Francisco e nas quebradas do Mercado de las Brujas. Dezenas de restaurantes, bares e baladas na região.

Plaza Hotel/ ex Radisson
Já tive a oportunidade de ficar hospedado por duas vezes neste confortável hotel. Os Serviços, restaurantes e acomodações agradam a qualquer cliente. Esta localizado em área bacana da cidade. O café da manha é um manjar dos deuses andinos. Além do serviço tradicional diversas iguarias do altiplano.

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