A fascinante experiência de mergulhar com botos na floresta amazônica

Os efeitos terapêuticos e lúdicos da convivência com os animais no Rio Negro

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A experiência de conhecer a floresta amazônica e navegar por seus rios e igarapés transformam a vida de qualquer ser humano. Em minha ultima viagem a Manaus percorri por alguns dias o Rio Negro e realizei um sonho antigo de interagir e nadar lado a lado com os fascinantes botos.

Com o crescimento desordenado de atividades turísticas envolvendo o boto em seu habitat, foi estabelecido uma serie de normas e procedimentos pelo núcleo de Fauna do Ibama para o relacionamento dos visitantes com os botos. Todo um esforço em conjunto organizado para a preservação destes mamíferos aquáticos sem mantê-los em cativeiro.  Visitei dois locais onde observei e desfrutei dos efeitos terapêuticos e lúdicos da convivência com este cetáceo afável e iluminado. IMG_1353

No flutuante do Sr Ambrosio e da dona Silvana antes de mergulhar nas águas escuras do lago de Acajatuba no rio Negro fui orientado que apenas o tratador alimentaria os botos. A alimentação é de dez sardinhas para cada boto, o equivalente de 300 gramas. Não existe no local as ações negativas de alimentação artificial, tudo é muito bem ordenado.IMG_1380

Meu coração palpitava a medida que descia o deck do flutuante. Minha conexão foi instantânea quando senti dois botos raspando e acariciando meu corpo. A pele do animal é lisa e o contato indescritível. Mergulhei nas águas e nas primeiras braçadas três botos cor de rosa acompanharam meus movimentos. Foi um encosta-encosta de outras esferas. Os botos brincavam comigo e faziam graça tocando em meus braços e pernas. Fiquei durante um bom período na mais completa plenitude. Quando me aproximei do tratador, um enorme cetáceo com mais de 150 quilos e dois metros de envergadura deu um salto e completou a manobra com uma pirueta.  Aquela gigantesco mamífero por incrível que pareça pousou suavemente a 10 cm do meu corpo e tocou seu bico magro e alongado em meu rosto. Entendi aquilo como sendo um afago, um beijo. Aquela imagem ficou gravada na minha memória.

No dia seguinte, a visita era na parte mais larga do rio Negro (26 km, de um margem a outra) fui conhecer o trabalho da bototerapia que utiliza os efeitos lúdicos e terapêuticos pelo contato dos botos com crianças com necessidades especiais.  Esta fisioterapia assistida é conduzida por Igor Simões que é especialista em Rolfing (técnica manual terapêutica). O trabalho consiste em duas etapas: a primeira acontece no flutuante com uma sessão de massagem e orientações; a segunda é um mergulho com a interação e diversão de nadar com os botos. DSC_1302

Semelhante à técnica da bototerapia, a delfinoterapia existe desde a década de 70 nos Estados Unidos, mas é realizada com golfinhos que vivem em cativeiro e que são domesticados. Com Igor e seu equipe é bem diferente,  os botos ficam livres em seu habitat natural e convivem com as crianças em sintonia divina. Ao final mergulhei com Igor e as crianças.DSC_1192DSC_1298

Botos 
1 – Na Amazônia existem duas espécies de botos: o cor de rosa (Inia Geoffensis) e o Tucuxi (Sotalia Fluviatilis). Eles nascem com entre 7 e 9 quilos e vivem cerca de 35 anos. Alguns adultos chegam a pesar 180 quilos e possuir mais de dois metros.

2 – O boto amazônico é a maior das quatro espécies conhecidas de golfinhos     fluviais. As outras vivem nos rios Ganges (Índia), Indo (Paquistão), Yang-tsé (China) e da Prata (entre a Argentina e o Uruguai). Todos eles são parecidos, mas as quatro espécies não pertencem à mesma família.IMG_1391

Agradecimentos especiais: www.bototerapia.com e www.amazontreeclimbing.com