La Bombonera, o doidão Diego Maradona e o bairro da Boca em Buenos Aires

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Caminito que el tiempo ha borrado
Que juntos un día nos viste pasar
He venido por última vez
He venido a contarte mi mal

Caminito que entonces estabas
Bordeado de trébol y juncos en flor
Una sombra ya pronto serás
(Caminito, Carlos Gardel)

Arthur y diegoArthur diego y peleDentro do táxi que mais se parece um brechó, sigo em direção ao bairro da Boca, um dos ícones magnéticos de Buenos Aires, escutando a voz de Carlos Gardel reverberando pelo som do velho veículo. A música é o hino ‘Caminito’.

Buenos Aires é uma das cidades mais misteriosas e sedutoras que conheço no planeta. Recoleta, San Telmo, Palermo, Florida, Puerto Madero e o bairro de Abasto, onde residiu o ‘Morocho del Abasto’, como era idolatrado Carlos Gardel. O mago do tango nasceu em 1890 e morreu de acidente aéreo na Colômbia em 1935. Saudades, Gardel. Mas sua voz continua ecoando por todos os cantos da Argentina.

bomboneraDesço do táxi e saio caminhando para conhecer o templo sagrado de La Bombonera, a residência oficial do time de futebol mais popular da Argentina.

Construído a partir de 1923 e inaugurado em 1940, La Bombonera recebeu este nome por sua arquitetura lembrar uma caixa de bombons. O estádio possui uma acústica alucinante, que amplifica os hinos e mantras dos torcedores fanáticos. Comporta 57 mil fieis ‘bosteros’, como os torcedores são conhecidos desde o século passado pelos ultrarrivais do River Plate. Lembranças da bosta de cavalo que havia pelas ruas do então pobre bairro da Boca. Diz a lenda que, quando a torcida do Boca vibra, o estádio treme fazendo os adversários ficarem apavorados. Basta ver nos confrontos dos nossos times brasileiros o sufoco que passamos na arena da Bombonera.

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casita de la boca
Casinha no bairro da Boca

O estádio é maravilhoso e nas entranhas de sua estrutura existe um museu inigualável que conta a história, os títulos e mostra jogadores lendários que passaram na vida do Boca Juniores. Camisetas, DVDs, livros, programa de TV, pôsteres e casas colorem com o azul e ouro – as cores do Boca – todos os bairros de Buenos Aires. O genial e doidão Diego Armando Maradona foi jogador e é o torcedor-símbolo da esquadra boquense.

Com as exigências da FIFA de que, a partir de 2008, os estádios de futebol devem ter assentos para todos os torcedores, a mítica Bombonera teria sua capacidade reduzida para 30 mil torcedores. Os dirigentes criaram uma comissão para analisar as alternativas e cogitaram até a possibilidade de construir um novo estádio. Para grande parte da fanática torcida do Alberto J. Armando (ex-presidente do clube), desativar La Bombonera seria perder a identidade. Enquanto isso nenhum dos times brasileiros ousa intimar o Boca na Libertadores dentro do seu alçapão sagrado.

Desde que se fue
Triste vivo yo
Caminito amigo
Yo también me voy

Desde que se fue
Nunca más volvió
Seguiré sus pasos
Caminito, adiós
(Caminito, Carlos Gardel)

Arthur en Bombonera