Descubra o passeio mais ‘sui generis’ de todo o litoral brasileiro

Arthur Veríssimo conhece os dromedários que têm vida de marajó em Genipabu, no Rio Grande do Norte

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Os nomes das criaturas são exóticos e divertidos: Canato, Zidane, Ali, Said, Hakim, Sherazade, Hani. Seus antepassados são africanos e os primeiros vieram da Espanha. Levam uma vida que muito ser humano gostaria de ter, com plano de saúde, trabalho, dieta balanceada, água mineral e bastante mordomia. Minha aventura para conhecer esta história iniciou-se em Natal, capital do Rio Grande do Norte. O destino final: as estonteantes dunas de Genipabu, que ficam 20 quilômetros ao norte da cidade.

Meu ponto de partida foi o forte dos Reis Magos, construído em 1598, na foz do rio Potengi. O acesso para Genipabu é fácil, fácil. Tem que pegar a ponte estaiada Newton Navarro e rapidamente você chega aonde Jade, Ali, Sherazade e sua turma aguardam os turistas para o passeio mais sui generis de todo o litoral brasileiro. Sim, caríssimo leitor, no alto das dunas avistei os dromedários. Para quem ainda tem dúvidas, uma dica para não esquecer jamais: os dromedários possuem apenas uma corcova e os camelos, duas.

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Paisagem durante passeio de dromedários em Genipabu. Foto: Cleide Batista
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Na foto, o dromedário Hakim. Foto: Cleide Batista

A empresa Dromedunas trouxe seis animais da Espanha em 1998. Após uma década, os dromedários se adaptaram em solo potiguar e reproduziram-se no Brasil. O sucesso da empreitada são os filhotes saudáveis e bonitões que vivem com os adultos no estábulo em Genipabu. Na Dromedunas, a fêmea entra em licença-maternidade no sexto mês de gestação. A donzela fica prenha durante 13 meses e geralmente tem um filhote. O animal adulto pesa de 500 a 600 quilos e mede de 2 a 2,5 metros de altura.

Turistas de todos os cantos do Brasil e do mundo divertem-se nas areias escaldantes enrolados em turbantes. Os animais caminham uma média de 30 quilômetros por dia na mansidão de Genipabu. Seus parentes na África chegam a percorrer 160 quilômetros pelo deserto e passam um mês sem tomar nadinha de água. Vida dura. Os dromedários consomem, mensalmente, uma tonelada e meia de ração, três caminhões de feno e 480 quilos de cenoura, a guloseima mais apreciada pelos mimosos.

DSC_3564Todos os dias depois do trabalho, precisamente às 18h, os camelídeos de Genipabu bebem água mineral e devoram suas refeições. Já curti longos passeios montado na corcova destes animais no Egito, Índia e Paquistão. Porém desfilar com estes dromedários e depois mergulhar no Oceano Atlântico, só aqui em Genipabu. Esta não é a primeira vez que tentam adaptar dromedários no Nordeste. No ano de 1856, Dom Pedro II mandou trazer 14 exemplares da Argélia, que foram levados para o Ceará. Os animais foram contaminados com sarna e outras doenças e não sobreviveram. O que garanto a você é que o time dos camelídeos de Genipabu é saudável e leva uma vida de marajás.

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Turistas durante passeio em Genipabu. Foto: Cleide Batista


Onde fazer o passeio:
Dromedunas
Está localizada em frente ao estacionamento da Zezé, na Praia de Santa Rita. Você leva cerca de 10 minutos para subir a pé até o local. A empresa oferece dois passeios: Saara, de 15 minutos sobre as dunas de Genipabu e custa R$ 50, e Oasis, de 30 minutos com locais exclusivos para fazer fotografias e custa R$ 75. Preços consultados em janeiro de 2016.